sexta-feira, 12 de junho de 2015

389. António-Lino

“Praia de Peniche”
Aguarela
29x39 cm

2.000,00 €

E FUI, UMA VEZ INDEPENDENTE, vivendo do profes­sorado efectivo na Afurada (na foz-do-Rio-Douro), e, aos poucos, continuando a frequentar a Escola de Belas-Artes do Porto. Independência que norteou a minha vida de artista. Na escola a amizade e a riqueza de convívio e conhecimentos de Mestre Dordio Gomes e dos condiscípulos Júlio Resende, Manuel Guima­rães, Israel Macedo, Maria e Rosa Moutinho, Amândio Silva...

Professor, ao diante, do Ensino Técnico e da Escola de Arte Aplicada, em Guimarães e Lisboa, de 1942 a 1948. Trabalhei em grandes painéis de mosaico, azulejo e mármore gra­vado a ouro, nas basílicas de Damasco (Síria) e Nazareth (Israel). É costume dizer-se: ir a Roma e não ver o Papa. Em 1951 parti, a seguir à inaugura­ção duma exposição individual no Museu de Arte Moderna de Madrid, para Roma, convi­dado para a inauguração da (          Igreja de Santo Eugénio. Cheguei quando já era impossível entrar no templo. Conversa com o comandante da Guarda Pontifícia que só encontra uma solução: entrar pelo exte­rior da sacristia de que tem a chave. Abre-me a porta, convida me a entrar rapidamente, fechando-a em seguida. Na minha frente, encontro, de pé sozinho, a figura imponente, na sua simplicidade, de Sua Santidade o Papa Pio XII. Mais tarde fiz uma série de dese­nhos, no Vaticano e em Castel Gandolfo, do mesmo Papa Falar de Itália, de Piero della Francesca, Masaccio, Paolo Uccelo e Signoreili ou Giotto, Carpaccio e Pisanello, seria um mundo de encantamento sem fim a descrever. Já em 1948, na minha primeira exposição individual, escrevera: a paisagens o retrato e o pequeno esboceto, somente me interessam cora meio de estudo; e a aguarela pela facilidade com que se pod­e traduzir com mais pureza a primeira impressão emociona: Tudo como meio de se atingir uma finalidade: a grande composição mural.

NÃO QUERIA ESQUECER o encontro com Fernando Pessoa; - quando saiu a edi­ção de Mensagem copio-a à máquina, em maiúsculas, a azul e vermelho. Mais tarde a minha TESE do Curso Superior de Pin­tura da Escola Superior de Belas-Artes do Porto, tem como tema El-Rei D. Sebastião, com versos de Fernando Pessoa: Mensagem — A Rosa do Encoberto. A composição e a cor, os elementos que considero essenciais na pintura. Nessa linha, tenho seguido, bem ou mal, mas independente, como sempre, sem me deter na colecção de críticas, pré­mios, medalhas ou vendas comerciais. Fina­lidade sentida: a Arte Religiosa.



ANTÓNIO-LINO Pires Da Veiga Ferreira Pedras, de nome. Nasci em Guimarães a 9 de Março de 1914, de Antiga Família trans­montana. Depois do curso do liceu, em Gui­marães, Braga e Porto, o Curso do Magis­tério Primário em Braga, com 16 valores no exame de Estado feito, em 1936. Professor efectivo na Afurada (Gaia). Em 1937, fre­quência de desenho na Escola de Belas-Artes do Porto. Em 1941, regresso à Escola de Belas--Artes, terminando o Curso Superior de Pintura com 19 valores na TESE em 1945. Professores: Mestres Teixeira Lopes (escul­tura), Acácio Lino (desenho) e Dordio Gomes (pintura). Em 1949 parti para o estrangeiro com largas estadas em Espanha, França, Alemanha e Itália, onde estudei tapeçaria, fresco, vitral e mosaico e fiz muitos apon­tamentos que expus em Espanha e Itália. Em 1957 visitei a Escandinávia (expus em Oslo e Helsínquia), a Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria e Suíça são pontos de encontro. Em 1964 concorri para professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa. A partir de 1965 visitei a Grécia, o Líbano, a Síria, Israel, Turquia, Chipre e Inglaterra. Da numerosa colecção de apontamentos de desenho, gravura, mototipias e óleo, fiz algumas exposições em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente no Museu de Arte Moderna de Madrid e, seleccionada pelo escritor e crítico de Arte, Leonello Venturi, no atelier do Beato Angélico, em Santa Maria Sopra Minerva em Roma. Tenho trabalhos em museus e colecções particulares nacionais e estrangeiras. Alguns prémios.

NAS QUATRO EXPRESSÕES de pintura mural — fresco vitral, tapeçaria e mosaico — me tenho realizado, a partir d 1952, depois de estudar as obras e a tecnologia destas e pra­ticá-las em sistemático trabalho de oficina.



Em 1951 fiz no Vaticano 18 palestras sobre Arte Cristã.: das Catacumbas à Arte Abstracta. Colaborei em vários jor­nais e revistas nacionais e estrangeiras com artigos sobre Arqueologia, História e Crítica de Arte, e, artisticamente, cor, desenhos e gravuras; na Enciclopédia Verbo e no Dicionário da Pintura da Cor, com artigo, sobre Belas-Artes e Tecnologias da Pintura; dirigi e ilustrei (com desenhos, monotipia e gravuras), livros de Literatura e Arte.



Nas viagens pelo estran­geiro descobri e identifiquei várias obras de interesse para a Arte Portuguesa, tendo noti­ficado disso, por escrito e com documentos fotográficos, a Direcção do Museu de Arte Antiga.



Fui um dos fundadores do           Grupo Independentes do Porto, que promoveu exposições no Porto, Braga, Coimbra e Lisboa, e do Movimento de Renovação de Arte Religiosa. Tomei parte em congressos de Arte e Arqueologia em Portugal e no Estrangeiro, apresen­tando teses. Actualmente sou professor de Tecnologias da Pintura, Mosaico e Vitral, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa.


António-Lino da Veiga Ferreira Pedras nasceu em Guimarães em 1914.
Depois do curso dos Liceus fez o curso do Magistério Primário, tendo 16 valores em exame de estado.
Frequentou durante 2 anos o curso de desenho da escola de Belas Artes do Porto, com altas classificações, até ser nomeado professor efectivo do ensino primário.
Regressou à Escola de Belas Artes em 1951 onde terminou o curso superior de Pintura com 19 valores e 1945.
Foi discípulo dos mestres Teixeira Lopes, Acácio Lino e Dórdio Gomes.
Foi professor de Ensino Técnico até 1949, exercendo nessa altura na Escola de Artes Decorativas de António Arroio de Lisboa; partiu para Espanha, França e Itália, onde permaneceu até 1965.
Percorreu todas as grutas pré-históricas de Espanha e França.
Estudou tapeçaria em Espanha, França, Bélgica, vitral em Chartres (França) e Alemanha, mosaico em Florença, Ravenna e Veneza.
Foi bolseiro do Estado Italiano através do Instituto de Alta Cultura de Portugal.
Visitou, além dos principais Monumentos e Museus dos Países já mencionados, os da Áustria, Suíça, Bélgica, Holanda, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Grécia, Líbano, Síria, Palestina, Turquia, Chipre, Norte de África e Inglaterra.
Fez uma numerosa colecção de apontamentos em desenho, aguarela, monotipia, gravura e óleo, dos países em que viveu, obra que expôs em Portugal e no Estrangeiro. Já na sua primeira exposição individual no SNI escrevia: “A Paisagem, o retrato, o pequeno apontamento, o desenho, a aguarela, a gravura e o óleo, somente lhe interessam como meio de estudo. Tudo para atingir uma finalidade: A grande Composição Mural” (in catálogo de Outono de 1948 – Lisboa). Nas quatro expressões de pintura mural, fresco vitral, tapeçaria e Mosaico, se tem realizado principalmente a partir de 1952. Primeiro estudando a obra dos grandes Mestres do passado; depois estudando toda a tecnologia destas expressões e praticando-as em sistemático trabalho de oficina.
Isso permitiu-lhe conhecer a riqueza e as limitações que cada expressão artística nos pode dar, sem surpresas e alterações possíveis a quem se não integrou no Fresco, no Vitral transporta em cal, vidro, lã ou pedra…
Tomou parte no Congresso Internacional de S. Furtoso em Braga, onde apresentou a comunicação: A Evolução dum sistema arquitectónico da Construção do Séc. IV de Júlia Concordia Sagitacia à Construção do Séc. VII – Dume: das Capelas Tumulares do Séc. I aos Baptistérios do Séc. XI. Colaborou com cartões para Grandes Composições musivas (1.000 m²) com a vida do Infante D. Henrique, com os grupos que foram classificados em 2º e 3º lugar no concurso para o monumento de Sagres.
Fez 18 palestras no Vaticano sobre Arte Religiosa das Catacumbas à Arte Moderna (Um verdadeiro curso de Arte Cristã, como escreveu uma alta personalidade religiosa em carta para S. S. Pio XII). Foi felicitado pessoalmente por S. S. Pio XII.
Fez vários desenhos deste Pontífice no Vaticano e em Castel Gandolfo.
Possui cartas de Mons. Montini, depois de Papa Paulo VI, agradecendo em nome do Papa Pio XII.
Tem escrito artigos sobre arqueologia, História e Crítica de Arte e colaborado artisticamente com desenhos e gravuras em Jornais e Revistas nacionais e Estrangeiras.
Colaborador efectivo da Enciclopédia da Editorial Verbo, na secção de Belas Artes.
Tem dirigido e ilustrado Livros de Literatura e Arte.
Fez uma conferência sobre Nossa Senhora nas Artes Plásticas, nas comemorações nacionais do Cinquentenário de Fátima. Pertence desde Jovem à Sociedade de Arqueologia de Martins Sarmento, Guimarães.
Identificou a Casula riquíssima, sob cartão de Botticeli, do Museu de Poldi, Pezzoli de Milão, como sendo dum Infante da Casa de Aviz de Portugal, o Cardeal D. Jaime.
Descobriu no armazém do Museu de Messina uma grande composição de grande interesse para o estudo do Politico encontrado em S. Vicente de Fora.
De tudo isto deu conhecimento e entregou fotografias ao senhor Dr. João Couto, Director do Museu de Arte Antiga.
Seleccionado pelo Escritor e Filósofo de Arte Prof. Leonello Venturi, fez uma exposição individual no antigo «Estudio» de Frei Angelico, em Roma.
Comunicou ao Superintendente das Belas Artes, Prof. Bertini Calomo, com quem manteve correspondência, a descoberta duma constante Fisionómica, desde a sua primeira obra de encomenda o Anjo Candelabro de S. Domingos de Bolonha, no S. Próculo, em algumas figuras do grupo das «PIETÀ», no David, ais retratos de Miguel Ângelo da «Galeria Delgi Uffizi» de Florença, da Escultura do Louvre e do Desenho de Francisco de Holanda, que foi declarada de muito interesse.
Dirigiu várias visitas aos Museus de Roma e Vaticano com alunos da Universidade Gregoriana; e a pedido do Colégio Pontifício Português fez várias palestras sobre Arte, mantendo prolongados diálogos com a assistência.
Deu uma lição sobre arqueologia e dirigiu uma visita ao museu arqueológico de Belém, um curso de cultura para professores do ensino primário oficial.
Faz parte de um pequeno grupo de Guimarães que apresentou um plano, que deu origem ao programa das comemorações centenárias de 1940.
Prestou provas no concurso para professor da ESBAL em 1964, onde exerceu o ensino de Tecnologias de Pintura até atingir o limite de idade em 1984.
Foi fundador do grupo do Porto que realizou a série de Exposições dos Independentes desde 1943 no Porto, Coimbra, Braga e Lisboa,
Foi sócio fundador do movimento de renovação de Arte religiosa.
Foi Director dum Semanário Nacionalista em Guimarães, que sempre lutou pela Salvaguarda do património da Região, e deu importância aos problemas da Arte.
Foi prémio das 3 Artes a nacional de Desenho e tem obras suas em Museus e em Colecções Particulares Nacionais e Estrangeiras.
Foi aluno de Filosofia, de Leonardo Coimbra. Foi convidado pela Dr. Arão de Lacerda para seu assistente de História de Arte quando Prof. da Fac. de Letras, da Universidade de Coimbra, não se concretizando pelo seu falecimento. Possui na sua biblioteca alguns Possui na sua Biblioteca alguns Milhares de Livros so­bre Filosofia, História D'Arte, Monumentos, Artistas.e Escolas, Mono­grafias de Arte, Museus, Estética, Técnicas `D'Arte, Biografia. Iconografia, Exposições de Arte e Revistas de Arte; Além de nume­rosos Livros de Literatura, Religião, Turismo e Escritores Gregos e Romanos. Em Vitral, Mosaico; Tapeçaria e Fresco tem realizado até agora cerca de mil metros quadrados, em Igrejas, Palácios de Jus­tiça, Camaras Municipais, Palácios Nacionais e casas particulares em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente na grande Basílica de Nazareth (Terra Santa, Israel) e, na Basílica de Damasco, na Síria Tomou parte na organização do congresso Histórico da Colegiada de N2 Sá da Oliveira onde apresentou duas comunicações. Foi edi tada agora Pelo Instituto Fontes Pereira de Melo, que lhe deu o Prémio Amaro da Costa, a Monografia de Guimarães e seu termo.

Sem comentários:

Enviar um comentário